19.10.2018

Finalistas Prêmio Braztoa de Sustentabilidade 2018/2019 – íntegra

Categoria AGÊNCIAS DE VIAGENS

Novaventura
Travessias Jalapoeiras
Proposta da agência é levar passageiros a uma imersão nas belezas naturais e na cultura quilombola do Jalapão (TO)

Quem deseja conhecer mais que os belos cenários naturais do Jalapão, no Tocantins, conta desde 2017 com um novo produto. A proposta da Novaventura, em parceria com a agência Cerrado Rupestre e o Jalapão Ecolodge, é tirar os passageiros de longos trajetos de carro e coloca-los em trilhas e travessias, entrando em contato direto com quilombos da região. “O turismo mais comum realizado no Jalapão não leva em consideração as comunidades tradicionais, que apenas observam a passagem dos turistas. Nossa proposta coloca em contato direto os visitantes e as comunidades, além de substituir trajetos em veículos pelas caminhadas”, explica o sócio da Novaventura, Alan Moraes de Paula.
Com as Travessias Jalapoeiras, roteiro de sete dias, o visitante faz trekkings que incluem as belezas naturais da região, como as ascensões ao Mirante da Serra do Espírito e ao Morro da Catedral, e visita também quatro quilombos que servem de apoio ao trekking e ao rafting. Os membros desses quilombos são envolvidos diretamente na condução nas trilhas, acomodação e alimentação. A experiência prioriza a conservação do meio ambiente e o respeito à cultura local, valorizando o modo de vida da comunidade e oferecendo incremento direto à renda dos cerca de 300 quilombolas.
Entre os quilombos, Mumbuca, com cerca de 190 moradores, é o mais visitado, por estar incluído em roteiros de menor duração. Entre os quilombolas, é promovido trabalho de conscientização, mostrando que preservar pode ser lucrativo economicamente. “Havia o costume de abrir clareiras na margem dos rios, para criação das praias fluviais. Isso não é necessário, porque as cheias e vazantes dos rios formam praias naturais”, defende Alan. Em parceria com o Instituto Terra Sustentável, as empresas têm apoiado a recuperação da mata ciliar.

Roraima Adventures
Diretrizes de conservação da trilha ao Monte Roraima
Com entidades, empresas e comunidades indígenas, Roraima Adventures realiza mutirões de limpeza no Monte Roraima

Um dos trekkings mais desejados por aventureiros e amantes da natureza, o Monte Roraima já foi até protagonista em novela, ampliando sua fama e, consequentemente, o número de visitantes. Com 80% de sua superfície em território venezuelano, inclusive o acesso, a montanha sofre as consequências da desatenção da Venezuela em relação às questões ambientais. Ainda assim, a Roraima Adventures, agência com sede em Boa Vista (RR), conseguiu unir diferentes agentes em três edições de mutirões de limpeza da montanha.
Representantes das comunidades indígenas que vivem na região, do Exército Brasileiro, autoridades dos parques da Venezuela e do Brasil e da iniciativa privada, além do apoio da World Adventures Society, participaram da redução do impacto ambiental causado pela visitação à montanha. A ação de recolhimento de lixo incluiu também o trabalho de conscientização e fiscalização para que novos mutirões não sejam necessários. “Em 2017, retiramos três toneladas de lixo do alto da montanha. Neste ano, foram cerca de 1,3 mil quilos. Essa redução nos deixa otimistas em relação ao trabalho de conscientização”, explica o diretor da Roraima Adventures, Magno Souza.
Além da ação operacional, que reuniu cerca de 70 colaboradores durante sete dias de mutirão, o projeto incentiva a conscientização nas comunidades indígenas para que seus membros tornem-se fiscalizadores das práticas adotadas nas trilhas da montanha, tanto por visitantes quanto pelos próprios indígenas. “A ação de saneamento é complementar ao trabalho de desenvolvimento de regras de utilização e conduta no parque, que devem ser adotadas e fiscalizadas pela comunidade e todos os atores ligados ao turismo”, completa.

Vivejar
Vivejar: um case de turismo responsável
Empresa de turismo do Sistema B, Vivejar aposta em roteiros protagonizados pela comunidade e no empoderamento de seus membros

Aberta há dois anos, a Vivejar é uma empresa do sistema B, movimento que dissemina o desenvolvimento sustentável e equitativo. Quando fundou a empresa, Marianne Costa tinha o objetivo de oferecer experiências em destinos turísticos em que seus roteiros tivessem impacto no desenvolvimento da economia local e no empoderamento de mulheres, especialmente. Dos três destinos iniciais, hoje a empresa conta com sete destinos em que os protagonistas são as comunidades. “Nossa proposta é colocar produtos de turismo responsável na prateleira”, resume Marianne.
Além do desenvolvimento econômico das localidades, a Vivejar preocupa-se com a promoção da educação ambiental tanto nas comunidades quanto nos passageiros que as visitam, apostando também na imersão dos viajantes nas experiências locais. Para isso, trabalha em cocriação com as comunidades, como no Vale do Jequitinhonha (MG), onde as experiências oferecidas aos visitantes foram desenhadas junto com as ceramistas da região. “Tudo começou com um projeto de apoio à comercialização do artesanato e acabou transformando-se em uma experiência hoje gerida pela própria comunidade”, conta Marianne.
É de Minas Gerais que vêm também o nome da empresa, em palavra inventada pelo escritor mineiro Guimarães Rosa, que significa “viver com satisfação”. Em 2017, a Vivejar e seus passageiros deixaram R$ 19,7 mil em renda direta em quatro comunidades do país. Hoje, trabalha com saídas específicas disponíveis no site e tours privativos, conscientizando o consumidor também em relação à remuneração justa dos serviços oferecidos nas comunidades.

Categoria Associados

Beto Carrero
Beto Carrero World: nasceu um parque, floresce uma floresta
O parque catarinense apresenta-se como case de sustentabilidade em um resgate das práticas adotadas por seu fundador, há 26 anos

Não era apena nas páginas das revistas em quadrinhos do personagem Beto Carrero, criado pelo empresário João Batista Sérgio Murad, que o meio ambiente era defendido pelo herói protagonista das histórias. Na prática, muito antes de Beto Carrero ir parar nas páginas de gibis, a preservação da natureza era o objetivo principal do empresário que adquiriu terrenos em Penha, no litoral catarinense, somando hoje 14 milhões de metros quadrados, em parte deles instalado o Beto Carrero World, um dos mais tradicionais parques temáticos do país.
Dessa área, cinco milhões de metros quadrados são intocados, quase o dobro do exigido pela legislação. Trata-se de área de mata atlântica preservada, que fez surgir o conceito de parque com floresta. “Inscrevemos o parque como um case de sustentabilidade porque esse conceito é praticado aqui há 26 anos, desde sua construção, quando o termo era pouco conhecido”, explica o analista de Desenvolvimento Organizacional do parque, Cleiton Montagna. O objetivo é promover o resgate histórico da importância dada à preservação ambiental em harmonia com o desenvolvimento de infraestrutura.
O Programa de Monitoramento Ambiental realizado em 2018 em uma pequena porção da área preservada do parque – pouco mais de 437 mil metros quadrados – mostrou a presença de anfíbios, répteis, mamíferos e aves povoando seu habitat natural. Entre as árvores nativas da mata atlântica, o pau brasil é uma das espécies encontradas na região do parque, cujas árvores neutralizam, em média, 2,8 mil quilos de carbono diariamente, segundo estudo encomendado pelo Beto Carrero World. As atividades do parque incluem ainda trabalhos de educação ambiental junto a escolas. “Disseminamos o cuidado da natureza por amor, porque faz bem cuidar do meio em que vivemos. Esse foi o ensinamento que recebemos de nosso fundador, que tinha como objetivo passar isso adiante”, resume Cleiton.

BWT Operadora
Better World Together – Ecobarreiras
Simples, ação desenvolvida pela BWT Operadora tem resultados imediatos e é facilmente replicável

Criado em 2015 pela BWT Operadora, o programa Better World Together propõe, em seu nome, um mundo melhor conjuntamente, em apoios e parcerias, brincando com as letras que dão nome à empresa. No início de 2018, a operadora deu início à 16ª ação do programa, que promove a cultura da sustentabilidade ambiental, social e econômica por meio de iniciativas alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODMs) da Organização das Nações Unidas (ONU).
Em março, a empresa instalou ecobarreiras em dois dos principais rios urbanos de Curitiba, onde tem sua sede. Os rios Belém e Ivo, considerados os mais poluídos da capital paranaense, ganharam estruturas de barreiras capazes de conter os resíduos sólidos descartados em suas águas. Simples, mas de resultado imediato, a ação permite que o lixo seja bloqueado na altura das barreiras, construídas com bombonas e redes que acompanham o nível das águas.
Diariamente, um funcionário da BWT faz a retirada dos resíduos acumulados, que são descartados corretamente, com o material reciclável sendo encaminhado à Associação de Recicladores de Morretes. “Com investimento inferior a R$ 1 mil, conseguimos criar uma ação de impacto na qualidade das águas, reduzindo a poluição dos rios, aumentando o material reciclado e ampliando a renda da Associação de Recicladores”, explica o diretor da operadora, Adonai Filho. Desde março, mais de 400 quilos de lixo foram retirados dos rios, com itens como embalagens de marmita, garrafas pet e roupas, principalmente. Por sua simplicidade, a ação é, ainda, facilmente replicável.

New Age
Expresso para o futuro e Embarque Sustentável
Trabalho em rede é parte da iniciativa da New Age Operadora, que envolve colaboradores, agências de viagens e passageiros nas ações

Em 2017, a New Age Operadora criou uma rede de doação de kits de higiene não utilizados pelos passageiros em hotéis e viagens aéreas. Para isso, mobilizou fornecedores, agentes de viagens e os próprios passageiros no projeto Embarque Sustentável, com meta de arrecadar mil kits para doação a instituições de São Paulo, São José do Rio Preto (SP) e Porto Alegre. Hoje, 20 agências de viagens nas três cidades servem como pontos de coleta dos kits, que ajudam a melhorar a qualidade de vida de pessoas carentes, buscando o resgate da dignidade humana.
Além dos kits, o Embarque Sustentável arrecada roupa de cama e banho de fornecedores, entregues também a instituições que repassam para famílias em condição de vulnerabilidade, alcançando o objetivo de “construção de uma rede do bem no turismo”, como explica a supervisora de SAC da New Age, Carlota Rodrigues. O engajamento de clientes e fornecedores tem início entre os colaboradores da operadora, mobilizados e conscientizados para o desenvolvimento do turismo sustentável, sendo capazes de atrair mais apoiadores para o projeto, multiplicando o potencial de impacto da ação.
À ação, soma-se o Expresso para o futuro, que fomenta a cultura de reaproveitamento de materiais e fim de desperdício. Na operadora, os copos descartáveis foram substituídos por moringas com copos e canecas personalizadas para os colaboradores, que trabalham agora com dois monitores, reduzindo a necessidade de impressões para conferência de materiais. A impressão de tarifários da empresa tem sido reduzida em cerca de 10% a cada ano, sendo disponibilizado em versão digital.

Categoria: Meios de hospedagem

Hostel Container Cabo Frio
Hostel Container Cabo Frio: nada se perde, tudo se transforma
Construído em containers marítimos reciclados, hostel de Cabo Frio tem a sustentabilidade como atrativo para quem visita a praia fluminense

Desde que foi inaugurado, em dezembro de 2016, o Hostel Container Cabo Frio, no litoral norte do Rio de Janeiro, já recebeu mais de seis mil hóspedes. Além das praias da região, parte deles também foi atraída pela filosofia do empreendimento, de máximo reaproveitamento possível. Assim, da estrutura física das acomodações, que somam 128 leitos instalados em containers, à decoração dos espaços, com mobiliário de madeira de demolição, tudo é planejado para combater desperdícios.
Entre as ações adotadas, além da captação de água das chuvas e do reuso de águas cinzas, o hostel tem sistema fechado de esgoto com fossas de bananeiras (Bacia de Evapotranspiração – BET) e aquecimento solar. Nos containers, o ar-condicionado funciona apenas com a chave – física, não apenas um cartão – do apartamento e, para ajudar a amenizar o calor do Rio de Janeiro, a tinta utilizada na pintura dos containers repele os raios solares. “Estamos mostrando que soluções simples e criativas de sustentabilidade podem ser aplicadas no dia a dia. É possível ter conforto e beleza com muita economia, fazendo com que ecologia e sustentabilidade sejam acessíveis e economicamente viáveis”, diz o diretor de Comunicação do hostel, Bruno Antunes.
Entre os aspectos que despertam interesse de hóspedes e de visitantes que têm procurado o hostel para visitas técnicas, atentos às inovações apresentadas, é a utilização de materiais considerados entulho e lixo em suas estruturas. Além dos containers, a piscina é uma caçamba de entulho e restos de brinquedos, roupas e pneus velhos ganharam uma segunda vida na decoração do hostel. No âmbito social, o empreendimento utiliza mão de obra da comunidade, especialmente menores aprendizes, servindo ainda de apoio para diversos treinamentos de estudantes em temas relacionados ao esporte, ecologia e acessibilidade.

Pousadas Vila Kalango e Rancho do Peixe
Sustentabilidade como direcionamento principal do negócio
Em Jericoacoara (CE), pousadas têm construção ambientalmente sustentável e ampliam ações de preservação e desenvolvimento das comunidades

Preservação do meio ambiente e sustentabilidade foram preocupações dos proprietários da Pousada Vila Kalango desde sua construção, em 1999, em Jericoacoara (CE). A pousada ocupa pouco mais de 30% dos cerca de cinco mil m² do terreno, em desenho que priorizou a vegetação existente, mantendo intactos os coqueiros centenários. Em 2004, quando o Rancho do Peixe foi construído na praia do Preá, a preocupação foi a mesma, observando-se a circulação dos ventos para dispensar o uso de ar-condicionado, além da elevação dos bangalôs do chão, permitindo que os ventos continuassem a correr pela área.
Aliada à sustentabilidade ambiental, ambas pousadas priorizam a imersão na cultura local e o impacto positivo na comunidade, com geração de renda e compartilhamento de boas práticas. Artistas locais apresentam-se nas pousadas, que abre suas portas para exposições de arte da comunidade. Os cerca de 150 colaboradores das pousadas passam por treinamentos e capacitações para desenvolvimento profissional e os restaurantes são abastecidos priorizando a agricultura familiar, com aquisição de insumos locais. Para as crianças da comunidade, as pousadas oferecem acesso à prática de esportes, como futebol, windsurfe e kitesurfe.
Em 2018, o Rancho do Peixe ganhou um sistema de reciclagem dos resíduos gerados pelas duas pousadas. Além da separação dos recicláveis, o lixo orgânico vai para a central de compostagem, que serve de adubo para a horta orgânica. Os canudos plásticos deixaram de ser oferecidos nas pousadas e os hóspedes são informados no momento do check-in sobre as ações sustentáveis e valores dos empreendimentos, comunicados também nas dependências do hotel.

Quinta da Estância
Quinta da Estância – Sustentabilidade na prática
No Rio Grande do Sul, fazenda foi criada para promover a educação para a sustentabilidade por meio do turismo rural; hoje, vai muito além disso

Em 2011, quando se tornou signatária do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU), a Quinta da Estância, primeira fazenda de turismo rural pedagógica do Brasil, apresentou-se em Copenhague, na Semana Anual do Pacto Global. Na ocasião, foi confundida com uma ONG (organização não-governamental). “Os participantes não entendiam como um empreendimento privado podia ter tantas ações sustentáveis, tanto ambientais quanto sociais e econômicas”, explica o diretor de Relacionamento com o Mercado da fazenda de Viamão, a 30 km de Porto Alegre, Rafael Goelzer.
É fácil entender a confusão. A lista de ações apresentada em Copenhague incluía a fundação do primeiro criadouro conservacionista pedagógico do Brasil, que já recuperou mais de sete mil animais apreendidos pelo Ibama, desde 1996; o tratamento biológico da água utilizada na fazenda, desde 2003; a neutralização de todo carbono emitido, desde 2007; a recepção gratuita de 30 mil alunos em situação de vulnerabilidade; os subsídios à visitação de 50 mil alunos da rede pública de ensino; e o projeto de valorização da cultura indígena, com tribos guaranis, que desde 1998 já sensibilizou 40 mil jovens, entre muitas ações realizadas desde 1992, quando a fazenda foi fundada.
Os conceitos de sustentabilidade permearam a própria fundação da fazenda, dona de 234 leitos. Visitada anualmente por cerca de 80 mil pessoas, a fazenda já plantou mais de 60 mil árvores – o plantio de árvores é o “preço” das palestras que representantes da Quinta da Estância realizam mundo afora. As inovações são constantes, graças ao programa Inova Quinta, de estímulo a novas ideias, e à parceria com estudantes. “Criamos em 2007 um departamento para atender estudantes e descobrimos um universo enorme de consultores gratuitos. A fazenda é tema de estudos que vão da biodiversidade à utilização de redes sociais, passando por projetos de engenharia energética e monitoramento da fauna”, completa Rafael.

Categoria: Parceiros do Turismo

Garupa
Expedições Serras Guerreiras de Tapuruquara
Parceria de entidades desenvolve roteiros de turismo comunitário em terras indígenas do Amazonas

A parceria iniciada em 2013 entre a Associação Garupa, a Associação das Comunidades Indígenas e Ribeirinhas (ACIR) e o Instituto Socioambiental (ISA) renderam em 2017 as primeiras expedições. Foram quatro expedições, com grupos de dez pessoas, que visitaram as terras indígenas do Médio Rio Negro I e II, a partir de Santa Isabel do Rio Negro, antigamente conhecida como Tapuruquara, que dá nome ao roteiro.
Na fase piloto, a Garupa faz o contato com os viajantes – e já há 180 pré-inscritos, demonstrando a demanda pelos programas em terras indígenas – e o ISA orienta as comunidades, desenvolvendo o contexto histórico e sociocultural das viagens. O objetivo é estruturar o turismo de base comunitária como negócio socioambiental, com geração de renda em uma atividade relacionada ao modo de vida das cinco comunidades indígenas que integram os primeiros roteiros. “A renda será apenas complementar, pois o turismo não deve ser a principal atividade dessas comunidades. Isso é o oposto do desejado. O roteiro só se justifica pela observação e contato com o modo de vida tradicional das comunidades”, explica a diretora executiva do Garupa, Mônica Barros.
Além de assegurar a preservação e conservação do território indígena, o projeto valoriza a divisão de trabalho nas comunidades, com rodízio de membros participantes, aumentando as perspectivas para jovens e contribuindo para diminuir a migração para zonas urbanas. As quatro expedições realizadas em 2017 geraram renda direta de R$ 37,8 mil, parte dela empregada em melhorias para a atividade turística, como banheiros mais bem estruturados e colocação de telas em alojamentos. Cerca de R$ 6 mil formaram ainda fundo da ACIR, que deverá operacionalizar expedições futuras.

Legado das Águas
Turismo integrado no Legado das Águas
No Vale do Ribeira (SP), Reserva Votorantim diversifica atividades de ecoturismo de olho no desenvolvimento das comunidades locais

Desenvolver a região do Vale do Ribeira (SP), por meio do aprimoramento das atividades de ecoturismo, é o objetivo das ações ambientais promovidas pelo projeto Turismo Integrado no Legado das Águas – Reserva Votorantim. A ampliação e diversificação do portfólio de atividades ecoturísticas na região estão integradas ao objetivo de gerar valor compartilhado em ações nos eixos de capital humano/social e econômico e são a etapa mais recente dos trabalhos de estudos e escalonamento de atividades realizados entre 2012 e 2014. Os municípios impactados são Juquiá, Miracatu e Tapiraí, além da comunidade Ribeirão da Anta.
Os investimentos realizados pela diversificação das atividades incluem o lançamento de programas com bikes, caiaques, rafting e travessias, além da formulação do Plano de Turismo Integrado Regional. “Em 2015, foi criada a empresa administradora do Legado das Águas e, em 2017 fizemos eventos testes para o lançamento das práticas de ecoturismo em 2018”, conta o diretor do Legado das Águas, David Canassa. As três preocupações centrais do trabalho foi estimular o desenvolvimento dos municípios, dos equipamentos relacionados ao turismo e das comunidades.
Dois dos municípios envolvidos, Tapiraí e Miracatu, tornaram-se Municípios de Interesse Turístico, passando a ter direito a orçamento específico do Governo do Estado de São Paulo para sua promoção. Foram implantadas Conselhos de Turismo, envolvendo os equipamentos como restaurantes, hotéis e pousadas, que deixaram de ver o Legado das Águas como concorrente para tê-lo como um atrativo a mais para a região. “O objetivo é transformar o Vale do Ribeira em um polo de ecoturismo. Não queremos que o visitante venha ao Legado das Águas e diga que já o conhece. Queremos que venha e volte muitas vezes, porque a região oferece múltiplas possibilidades”, explica Canassa. Como modelo de negócios desenhado dentro da nova economia, o Legado das Águas tem como core business a sustentabilidade ambiental e social, aliada ao desenvolvimento das comunidades locais.

Recanto Rio da Prata
Na pegada da sustentabilidade
Recanto Ecológico Rio da Prata e Lagoa Misteriosa apresentam modelo de gestão de ecoturismo em Jardim (MS)

Fazenda de pecuária de corte, em 1995 a família que administra a Cabeceira do Prata criou o Recanto Ecológico Rio da Prata, abrindo suas portas para o turismo sustentável. Para assegurar a visitação turística de modo responsável, em 1999 foi estabelecida, em parte da fazenda, a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). A gestão tem como prioridade o uso responsável dos recursos naturais e a minimização dos impactos ambientais nas atividades oferecidas, sejam as flutuações e mergulhos nos rios ou na Lagoa Misteriosa, dentro da propriedade, ou as trilhas e visitas a projetos como o viveiro de mudas nativas ou a Casa do Doce de Leite.
Com o objetivo de promover e aprimorar a qualidade ambiental da fazenda, em Jardim, município vizinho a Bonito, no Mato Grosso do Sul, os proprietários implementam há anos programas como o Lixo Zero, separando o lixo reciclável, realizando compostagem do lixo orgânico e trabalhando com minhocário para compostagem de restos de comida; viveiro de mudas para plantio na fazenda e doação para outros locais; e cumprindo com rigor as normas de capacidade de carga, aceitando número de visitantes menor que o permitido pela Secretaria de Meio Ambiente do MS. “Queremos assegurar a experiência de contato próximo com a natureza de cada visitante, que deve ter seu espaço e tempo respeitados nessa interação”, conta a sócia-proprietária da fazenda, Simone Coelho.
Para disseminar as práticas adotadas, o Recanto Ecológico é ainda o principal mantenedor do Instituto de Águas da Serra da Bodoquena, que desenvolve trabalhos ambientais nos rios da região, e criou o projeto Educando e Plantando, envolvendo as escolas públicas de Jardim na educação ambiental – seja com palestras do gestor ambiental do Recanto nas escolas ou com a visita dos alunos às instalações da fazenda. A cultura local é valorizada por meio da venda exclusiva de artesanato regional, enquanto a economia das comunidades beneficia-se do emprego de mão de obra nativa, tanto no quadro de funcionários quanto na formação de guias autônomos.

Categoria: Projetos inovadores

Anhembi Morumbi

Caminho de Nazinha
Projeto desenha organização de roteiro religioso entre Castanhal e Belém, no Pará; mais de 25 mil romeiros percorrem trajeto anualmente

Neste mês, o projeto Caminho de Nazinha deixou a academia e ganhou uma versão piloto, saindo do papel. Com longa experiência no turismo, o professor Ricardo Frugoli observou que a romaria de cerca de 80 quilômetros entre as cidades de Castanhal e Belém, no Pará, antecedendo o Círio de Nazaré, mobiliza anualmente milhares de romeiros. “Não existe qualquer infraestrutura de apoio à romaria. Como resultado, temos lixo acumulado ao longo do trajeto ano a ano. Os romeiros são orientados a não carregar peso, deixando pelo caminho esse triste rastro”, conta o professor.
O projeto visa promover infraestrutura sustentável para o percurso, consolidando-o como um roteiro de turismo religioso. Além da infraestrutura física, com a instalação de latas para coleta seletiva de lixo e demarcação da rota, com wind banners, o projeto tem o objetivo de conscientizar os participantes sobre os impactos ambientais da romaria, educando-os ambientalmente. Ao mesmo tempo, defende o desenvolvimento do roteiro de turismo religioso como mecanismo para preservar e valorizar a cultura regional.
Na versão piloto, tendas foram instaladas como pontos de apoio para a romaria, dando forma a parte das propostas do projeto. Entre elas, estão a realização de parcerias com a comunidade, por meio de associações de cooperativas de catadores de recicláveis, por exemplo, além da realização do “Maniçobão do Romeiro”, oferecendo um dos pratos típicos da gastronomia paraense. “Além da sustentabilidade ambiental e da ação cultura, projetamos uma ação de acolhimento com o maniçobão. E podemos oferecer ainda uma ação de responsabilidade civil, por meio da contagem e pesquisas junto aos romeiros”, completa o professor, que estima em entre 25 mil e 30 mil o número de romeiros na semana do Círio de Nazaré.

Fatec SP

Permacultura Marinha Pitiú
Pesca próxima à costa, em ilhas artificiais, permite desenvolvimento do turismo, da pesca esportiva e das comunidades caiçaras

“Cheiro de peixe, de maresia” é o significado de pitiú, palavra utilizada para nomear o projeto de permacultura marinha do bijupirá que visa aproximar sua criação da costa – daí a presença do cheiro de peixe. O projeto trata da criação do bijupirá em píers flutuantes, ou ilhas artificiais, na proximidade da costa, possibilitando a valorização da cultura pesqueira, a promoção do turismo sustentável agregado à pesca e fomentando o consumo de peixes mais saudáveis.
Com a permacultura marinha, o bijupirá, espécie de grande porte que pode atingir até 60 quilos, seria criado em centro de cultivo flutuante feito de garrafas PET e material reciclável (Parque Ecológico Pitiú). “Propomos o cultivo em cerca rede, na qual o peixe tem contato com o fundo do mar, em lugar do tanque rede. O animal tem uma vida mais tranquila, livre de estresse, e o custo de engorda pode ser reduzido em até 80%”, conta o idealizador Marcelo Honório Rego.
A implantação de ilhas flutuantes próximas à costa viabilizaria a visitação turística do Parque Ecológico Pitiú, que contaria ainda com restaurante à beira-mar e a possibilidade da prática de pesca esportiva. “A pesca esportiva é uma oportunidade sustentável de negócio, uma vez que preserva o meio ambiente aquático e incentiva e promove o turismo pesqueiro”, explica. Ainda no eixo ambiental, praias degradadas ou subutilizadas poderiam ser recuperadas com o cultivo do pescado. No eixo social, os benefícios vão da valorização da atividade pesqueira, com a recuperação de famílias caiçaras para essa atividade, além do aspecto educacional, de conscientização sobre a importância do mar.

Instituto Federal de Brasília

Jogo dos Biomas Gastronômicos
De olho nas tendências de gamification, jogo ensina sobre diversidade ambiental brasileira aliada à gastronomia

Um dos aspectos mais importantes nas viagens, a gastronomia é o tema central do Jogo dos Biomas Gastronômicos. O projeto foi desenvolvido dentro do curso de Gastronomia do Instituto Federal de Brasília com o primeiro objetivo de nivelar o conhecimento dos alunos, segundo a professora Ana Paula Jacques, que coordena o projeto. “Desenhamos uma ferramenta com essa primeira função que, ao mesmo tempo, foi capaz de despertar o interesse dos futuros cozinheiros para a biodiversidade nativa”, conta a professora.
O jogo de tabuleiro em tamanho real, com os jogadores tornando-se os “peões”, teve um protótipo apresentado na Conecta IF, em agosto deste ano, em Brasília. Enquanto avançam pelo tabuleiro, os estudantes têm seus conhecimentos sobre a biodiversidade, o patrimônio e a cultura alimentar do Brasil testados. Ao despertar a curiosidade dos estudantes, o jogo busca sensibilizar para a importância da utilização e valorização das espécies disponíveis nos biomas nacionais, tanto para uso gastronômico quanto para visitações turísticas.
O projeto facilita o processo de ensino/aprendizagem, desenvolve novas competências nos alunos em relação à biodiversidade nacional, ao patrimônio e à cultura alimentar. Entre as ações esperadas, está a contribuição para a preservação dos biomas por meio da sensibilização quanto ao uso na gastronomia brasileira. “Conscientizar e valorizar são fundamentais para destacar a culinária brasileira no mapa mundial gastronômico”, defende a professora. Com baixo investimento e a possibilidade de tornar-se um aplicativo, o Jogo dos Biomas Gastronômicos pode ser utilizado, ainda, como ferramenta de treinamento, capacitação e avaliação em diferentes modelos de negócios, transformado em plataforma interativa de gamification.

Categoria: Resorts

Le Canton
Sustentabilidade Diária Le Canton
Resort de Teresópolis (RJ) aposta na educação ambiental como mecanismo para minimizar impactos ambientas da atividade hoteleira

Educação ambiental foi a ferramenta encontrada pelo hotel Le Canton, em Teresópolis (RJ), para maximizar os impactos positivos no meio ambiente e na sociedade. O hotel adotou duas escolas públicas municipais da comunidade, oferecendo o curso de educador ambiental aos professores e levando seus alunos a participarem de atividades nas dependências do Le Canton. Com 120 horas de duração, o curso é oferecido no modelo EAD, incentivando os professores a levarem para a sala de aula o tema ambiental.
O hotel também ofereceu às escolas um software de gestão escolar que já alcançou resultados até na diminuição da evasão escolar. A iniciativa envolveu o poder público de Teresópolis, por meio da Secretaria Municipal de Educação, além de 1.187 alunos atendidos na rede pública da comunidade. No resort, a horticultura é uma das principais atividades, com técnicas ambientalmente sustentáveis, em conhecimento também compartilhado com as escolas adotadas.
A realização do inventário de Gases Efeito Estufa resultou no plantio de oito mil árvores nativas, neutralizando 100% do carbono emitido em 2017. O Le Canton realiza também o tratamento da totalidade dos efluentes, graças aos investimentos no tratamento biológico, como observado no plano de gerenciamento de resíduos sólidos, que devolve ao meio ambiente a água tratada sem utilizar energia ou aditivos químicos, servindo de modelo de gestão de resíduos para o município. Com as práticas sustentáveis e as ações educativas, o projeto capacita os grupos sociais afetados pelo hotel para que interfiram de modo qualificado na minimização dos impactos ambientas em toda a região.

Mabu Thermas Grand Resort
Gestão da sustentabilidade
Mudança na matriz energética, para consumo de energia verde, é principal avanço no Mabu Thermas Resort, de Foz do Iguaçu

Implantada em 2012, a Gestão da Sustentabilidade busca, ano a ano, avanços na redução dos impactos da atividade hoteleira da Rede Mabu nas localidades em que seus empreendimentos atuam. Em Foz do Iguaçu, o Mabu Thermas Grand Resort alcançou uma série de resultados positivos em 2017, quando substituiu, em janeiro, o consumo de energia proveniente da Companhia Paranaense de Energia (COPEL) pela compra de energia renovável do Grupo Electra, no mercado livre.
A substituição permitiu ao resort e ao Mabu Curitiba Express, hotel da rede na capital paranaense, deixarem de emitir cerca de 6,5 milhões de toneladas de carbono, quantidade que precisaria do plantio de mais de 3,2 mil árvores para ser neutralizada. “É muito positivo plantar árvores para neutralizar o carbono emitido no meio ambiente, mas é muito mais lógico não realizar essas emissões”, analisa a gerente de Marketing do resort, Luciana Valentini. Com a substituição da matriz energética, o resort deixou também de comprar diesel para seus geradores de energia elétrica, reduzindo em 130 mil litros o consumo do óleo e diminuindo em 39% o valor referente ao consumo energético.
Ainda nesse sentido, a modernização da central térmica de água quente do resort foi responsável pela redução em 15% no consumo de gás. A energia solar permite ainda a redução em 50% do consumo de gás no abastecimento de 210 apartamentos, sendo de 10% em outros 154 apartamentos do resort. Embora a substituição na energia seja o principal avanço na Gestão da Sustentabilidade do Mabu Thermas, o resort ainda tem 100% de destinação correta dos resíduos, que são rastreados, e 72% dos fornecedores de produtos para o hotel são locais.

Sesc Porto Cercado

Hotel Sesc Porto Cercado – Educação Ambiental e Ecotécnicas
Usina fotovoltaica é mais nova ação sustentável no hotel do Pantanal do Mato Grosso, que usa práticas sustentáveis para impactar na renda da comunidade

A primeira usina solar do Pantanal entrou em funcionamento em novembro de 2017 como iniciativa do Hotel Sesc Porto Cercado, em Poconé, no Mato Grosso. Com 1.240 placas, a usina já produz energia para suprir 50% da necessidade do hotel, que há 16 anos aprimora práticas de sustentabilidade em suas instalações. São 142 apartamentos construídos para oferecer ao público contato com o bioma e a cultura pantaneira.
O eixo ambiental do hotel, que recebeu quase 28 mil visitantes em 2017, é formado pelo Centro de Interpretação Ambiental, com 25 atrativos sobre o Pantanal; pela Coleção de Insetos e pelo Formigueiro, além do Borboletário, este último responsável pela geração de renda para 25 famílias da comunidade. “Uma vez por semana as famílias que integram o projeto recebem os ovos das borboletas para cultivá-los. Posteriormente, o Sesc compra esses ovos ao eclodir”, conta a superintendente da Estância Ecológica Sesc Pantanal, Christiane Caetano Rodrigues. A renda média chega a um salário mínimo mensal para cada família.
As ações de conservação e sustentabilidade do Sesc Porto Cercado viraram um roteiro de “ecotécnicas”. São sete ecotécnicas que podem ser visitadas, de olho na sensibilização para mudanças de hábitos. Entre elas estão a casa de reciclagem, a compostagem do lixo orgânico, a estação de tratamento de esgoto e a nova usina fotovoltaica. Na comunidade, além de ter 80% de seu quadro de colaboradores formado por mão de obra local, o hotel desenvolveu o Projeto Coopocone, com catadoras de recicláveis. Além do trabalho de reciclagem, as mulheres catadoras associadas à Coopocone foram capacitadas para o reaproveitamento de vidro, trabalhando na confecção de produtos como saboneteiras, compradas pelo hotel.